Mais uma vez o Instituto de Gestão Estratégica do Distrito Federal (Iges-DF) sai na mídia por outro problema relacionado a corrupção. A operação Ethon deflagrada por promotores do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vai apurar um possível superfaturamento milionário em contratação emergencial nos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Instituto de Gestão Estratégica em Saúde do Distrito Federal (Iges-DF), e mais uma vez o ex-secretário de Saúde, Francisco Araújo está envolvido.
Desde a criação do Instituto, enquanto ele era apenas IHBDF que o deputado Distrital e servidor da Secretaria de Saúde, Jorge Vianna alerta quanto ao modelo de gestão adotado, que é propício à corrupção. O parlamentar lembra que a sua primeira votação na Câmara Legislativa, após tomar posse como deputado, foi de emitir um relatório contrário ao PL 001/2019 que alterou a nomenclatura do Instituto Hospital de Base do Distrito Federal (IHBDF) para Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (Iges-DF) e ampliou o modelo de gestão inserindo seis Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), além do Hospital Regional de Santa Maria.
Nesse dia, Vianna ficou decepcionado com a votação, pois apesar de estar como presidente da Comissão de Educação, Saúde e Cultura (Cesc) e ter votado contrário a ampliação do projeto, o PL ainda assim foi aprovado em 1º e 2º turno. Em seu discurso, na tribuna afirmou: “Posso ter perdido essa batalha, mas não perdi minha dignidade. Votei contra e fui vencido, mas fiz o que meu povo sofrido, servidor, esperava de mim, e jamais faria o contrário”. Veja aqui.
E por inúmeras outras vezes o parlamentar usou a tribuna da Câmara Legislativa, bem como suas mídias sociais e espaços nos veículos de comunicação para relatar as denúncias que chegavam até ele, o qual, em seguida, sempre pedia atenção do governo com relação ao que estava acontecendo e nada era feito. Um modelo que desde o início todos sabiam que não ia dar certo, devido a facilidade com o uso de seus recursos, além dos problemas com a quarteirização, baixa produtividade, descumprimento da legislação, gasto com pessoal, irregularidades com diversos contratos fechados e muitas outras situações que aconteceram de lá para cá.
Agora mais recente temos a Operação Ethon que, segundo o Portal Metrópoles, revelou um esquema ilegal instalado no Iges-DF e que resultou no desvio de milhões de reais em dois contratos destinados ao fornecimento emergencial de leitos de UTI’s. Além disso, o superfaturamento de preços ofertados pelas empresas que participaram da seleção e do direcionamento das contratações em favor das empresas, as investigações também apontaram que as contratadas não forneceram insumos, medicamentos e mão de obra em quantidade e qualidade exigidos e que essas ilegalidades praticadas, tiveram como consequência, a ocorrência de altíssimas taxas de mortalidade nos leitos de UTIs de alguns hospitais administrados pelos suspeitos.
Para Vianna, que é servidor da saúde e que sempre foi contrário ao modelo de gestão, já passou da hora do governador repensar esse modelo, pois claramente não está dando certo. “Quantas vezes eu alertei e cobrei do governo com relação ao Iges. A todo momento vemos problemas nesse Instituto relacionado diretamente a corrupção e falta de atendimento. O que mais precisa acontecer para que governador tome uma posição, uma postura firme. É o que nós esperamos do governador”, declara o deputado da saúde.
