Residentes são homenageados pela Câmara Legislativa do DF em sessão presidida por Jorge Vianna

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Em três momentos distintos, médicos e profissionais de outras áreas foram homenageados pela CLDF

Por Kleber Karpov

Na manhã desta segunda-feira (2), cerca de 600 residentes lotaram o auditório da Câmara Legislativa do DF (CLFD) para participar do acolhimento dos residentes que devem atuar nas unidades de saúde do DF e da sessão solene, presidida pelo deputado distrital, Jorge Vianna (Podemos), em homenagem aos 60 anos da Residência Médica no Distrito Federal.

Durante a cerimônia de acolhimento dos médicos residentes, compuseram a mesa, o diretor executivo da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), Marco de Sousa Ferreira, o diretor da Escola Superior de Ciências e Saúde (ESCS), Ubirajara José Picanço de Miranda Júnior, a Coordenadora de Pós-graduação e extensão da ESCS, Carmélia Matos Santiago Reis, a gerente de Residências Especialização e Extensão da ESCS, a cardiologista, Vanessa Dalva Guimaraes Campos, o presidente do Conselho Regional de Medicina do DF (CRM-DF), Farid Buitrago Sánchez, a coordenadora da Coreme do Hospital Regional do Paranoá (HRPa) e secretária executiva da Comissão Nacional de Residência Médica (CNRM) do Ministério da Educação (MEC), Viviane Cristina Peterlle, o presidente da Comissão Distrital de Residência Médica do MEC, Rogério Nóbrega Rodrigues Pereira e o diretor social da Associação Brasiliense de Médicos Residentes (Abramer), Samuel Silva Borges.

Acolhimento aos residentes

Segundo a gerente de residências da ESCS, Vanessa Dalva, a residência médica é uma modalidade de pós-graduação, uma especialização Lato Sensu, que ocorre com carga horária de 60 horas semanais e deve ser acompanhado por preceptores. O DF, atualmente 1570 residentes, desses, 1.000 médicos e os demais de outras áreas de saúde, estudantes esse que contam com um total de 970 profissionais que atuam na preceptoria. “Na residência vocês vão desenvolver soluções inovadoras para os problemas do sistema de saúde”.

Pereira, representante do MEC, observou que aos presentes, que os residentes acolhidos para a residência médica do DF, são as melhores mentes do país. Isso ao ressaltar que para se chegar a tal condição, foi necessário passar por um ‘funil’. “Vocês são os melhores dos melhores. As melhores mentes que a gente tem no Brasil hoje.”, disse além de observar a dificuldade para se manter a residência médica no país.

Carmélia Matos, por sua vez, responsável pela coordenação da pós-graduação da ESCS, lembrou o orgulho de ter no Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), uma referencia em tratamento dermatológico, em que foi responsável por criar a residência médica naquela unidade, há 12 anos. “Hoje, um serviço de referência no Distrito Federal.”.

Diretor da ESCS, há quase 20 anos, Júnior lembrou que a residência, enquanto especialização “é um primeiro grande passo de preparo profissional para inserção no mercado de trabalho, de forma qualificada e especializada.”. Além de ser um qualificador, obrigatório, para quem tem interesse em atuar na docência.

O gestor observou ainda que os residentes compõem uma força de trabalho, necessária à Secretaria de Estado de Saúde do DF (SES-DF), na assistência pública a saúde. “São mais de 5 milhões de horas de assistência na rede de saúde pública do DF, oferecida a cada ano. Portando vocês são muitíssimos bem-vindos porque, não só vocês precisam dessa formação, como a secretaria de saúde precisa deste trabalho de vocês que integra a assistência à Saúde do Distrito Federal.”, afirmou Júnior.

Ferreira, diretor executivo da Fepecs, por sua vez, ressaltou a importância do acolhimento à SES-DF e, sobretudo, da residência médica, na formação dos profissionais de saúde. “Esse mecanismo todo de residentes, preceptores Coremes, são infinitamente importantes na vida de cada um”, disse.

Manutenção da residência

Foto: Wilter Moreira
Foto: Wilter Moreira

Na ocasião, Vianna lembrou a dificuldade enfrentada no final de 2019, ocasião em que havia o risco de a preceptoria acabar no DF, após anúncio de suspensão de gratificação aos preceptores da ESCS.

“Ano passado fui procurado e disse, vamos resolver de vez. E resolvemos. Fizemos uma lei que garante aos preceptores o direito de receber os alunos e passar o ensinamento com tranquilidade sem que haja ameaça do Tribunal de Contas, e do governo para que ele [servidor da SES-DF, preceptor] possa retornar para a unidade de saúde.”, disse Vianna.

O deputado observou ainda a necessidade de dar aos residentes estabelecidos no DF, condições financeiras para que consigam ter qualidade de vida, dado o alto custo de vida da capital do país.

“Não podemos achar que o residente de Brasília deve ter as mesmas condições de um do interior do país. Pois não é. Um auxílio moradia de R$ 991 ele vai conseguir um aluguel na periferia. Então temos que melhorar isso para que tenham condições e não fiquem preocupados com a integridade física e possam trabalhar com segurança.”, ponderou.

Patrono da Residência

Na solenidade, o doutor, Francisco Pinheiro da Rocha, foi homenageado na condição de Patrono da Residência Médica do DF. Rocha foi responsável por montar a Comissão de Internos, Residentes e Estagiários, em 1964, precursora das Comissões de Residências Médicas (Coremes) em todo país.

Acompanhe o acolhimento aos médicos residentes

Sessão solene

Além dos membros que participaram do acolhimento aos médicos residentes, também participaram da sessão solene, a deputada distrital, a médica sanitarista, Arlete Sampaio (PT), o senador Izalci Lucas (PSDB), o ex-secretário de saúde e fundador da ESCS, o médico, Jofran Frejat, o vice-presidente do Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico-DF), Carlos Fernando, o presidente da Associação Médica de Brasília (AMB), Ognev Meireles Cosac.

Na ocasião da abertura da solenidade, Vianna voltou o cobrar a presença do secretário de Estado de Saúde do DF, Osney Okumoto. “Em um evento como esse, não ter a presença Estado, do secretário de Estado de Saúde aqui, é feio. Quem tem que receber os residentes, parabenizar os ex-residentes, médicos, é a Secretaria de Saúde, o secretario. Embora esteja muito bem representado pelo doutor Marcos, mas o secretário de saúde, deveria estar aqui.”, disse ao dar a bronca do gestor da pasta.

Investimento

Em uma breve fala, Izalci Lucas criticou a falta de investimento tecnológico no DF, ao mencionar reportagem, sobre a falta de controle de estoques de medicamentos de alto custo. “Uma saúde que não tem controle de estoque, que os hospitais não se comunicam, que o sistema não há integração, interação nenhuma, sinceramente, não sei o que está acontecendo.”.

IGESDF

A deputada Arlete Sampaio, falou das dificuldades que os residentes devem enfrentar na rede pública de saúde, dado as atuais condições em que se encontra. A parlamentar observou ainda o que considerou uma discrepância, em relação a Lei 8080, que rege o Sistema Único de Saúde (SUS) que atribui um comando único na gestão da Saúde.

“Hoje a gente tem dois comandos na Saúde em Brasília. De um lado a Secretaria de Saúde e do outro o Instituto de Gestão Estratégia de Saúde do DF [(IGESDF)],   que não se falam. Pelo menos não do ponto de vista da organização do serviço. Vou citar dois exemplos. De repente, o instituto decidiu que não queria mais a hemoterapia. A doutora que era chefe da unidade chegou e: – Não, agora você não trabalha mais aqui, você vai agora trabalhar no HRAN. As pessoas que tem necessidade de hemoterapia estão penando.”, disse ao lembrar ainda vários atendimentos de neurologia, no caso da esclerose múltipla “Onde estão sendo atendidos os quase 300 pacientes que eram acompanhados lá no Hospital de Base. Não sei, ninguém sabe, essas pessoas estão sem assistência.”, completou Arlete Sampaio.

Atendimento na Atenção Primária

Jofran Frejat - Foto: Wilter Moreira
Jofran Frejat – Foto: Wilter Moreira

Frejat por sua vez, lembrou que a contou com o auxílio de diversos servidores, de segmentos distintos das categorias da saúde, para implantar a ESCS e na descentralização na atenção à Saúde. O médico lembrou ainda a descaracterização dos atendimentos na Atenção Primária a Saúde (APS).

“A gente tinha em cada Centro de Saúde um clínico, um pediatra, um ginecologista e um sanitarista que acompanhava o que estava acontecendo e isso acabou. Agora temos um clínico geral, não sei se é clínico geral, atendendo todo mundo. E eu fico me pergunto: – Será que uma senhora vai aceitar ser examinada em sua intimidade por alguém que não seja ginecologista. Será que uma mãe, vai aceitar que seu filho seja atendido que não seja pediatra?”, questionou ao se referir ao atual modelo na APS.

HMIB

O vice-presidente do SindMédico-DF, lembrou a qualidade dos serviços voltados a reprodução humana, a maternidade e gestação de alto risco, do Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), ocasião em que realizou uma homenagem aos médicos Valdecir Gonçalves Bueno e Guaraci Leles Beleza, que tornaram o HMIB uma referência, comparado a Universidade de São Paulo (USP) e de Ribeirão Preto.

O mais importante da vida é o amor

Ao relatar em uma experiência pessoal, que envolveu um neto, diagnosticado com um tumor do mediastino, Carlos Fernando apontou que o maior bem que o homem tem é o amor.

“Eu levei esse moleque para São Paulo, para ser operado pelo terceiro melhor profissional do mundo em robótica, na cirurgia torácica, doutor Ricardo Terra, e Humberto foi junto e todo apoio que recebi. E naquele momento, esse menino, filho de filha único, neto único, eu que fiz o parto, entrou em uma sala de cirúrgica para tirar um tumor do tórax, 70% de possibilidade benigna e 30% maligna. Naquele momento eu lembrei do professor Clovis de Barros da USP, filósofo, professor, um intelectual. Assistam um vídeo dele, sobre vida, felicidade, alegria. Eu me reportei a Deus, pedindo, assim como vocês pedem a cura ou a não complicação e a melhora de seus pacientes. Eu tenho certeza que muita gente reza. E eu perguntei, porque o senhor não trocou. Porque não sou eu que estou na mesa com um tumor e sim meu neto. Então naquele momento, eu vi que o bem mais importante da vida, não é a vida, é o amor. Então eu trago para vocês o parabéns pelo amor que vocês fazem à profissão de vocês.”, disse emocionado.

Qualidade

Para Sánchez, presidente do CRM-DF, a residência médica do DF é motivo de orgulho para o DF. “A residência hoje no DF não tem nada que invejar a nenhuma do resto do país e por isso damos acolhida a muitos médicos que vem de fora. Médicos que são formados em outras instituições fora do Distrito Federal e que aqui são formados como médicos profissionais no padrão ouro de residência médica.”.

Valorização

Representante da Abramer, Borges, chamou atenção para a necessidade de união por parte dos residentes e de se buscar a valorização da categoria no ambiente dos residentes, tanto financeira quanto nas condições de trabalho.

História

Doutor Francisco Pinheiro da Rocha, Patrono da Residência Médica do DF - Foto: Wilter Moreira
Doutor Francisco Pinheiro da Rocha, Patrono da Residência Médica do DF – Foto: Wilter Moreira

Na solenidade, Rocha, Patrono da Residência Médica do DF, fez um passeio pela história do Hospital de Base do DF (HBDF), desde a inauguração pelo ex-presidente da República, Juscelino Kubistchek, em 12 de setembro de 1960, com o nome de Hospital Distrital de Brasília, com a presença também de Israel Pinheiro, primeiro prefeito de Brasília.

“Os médicos pioneiros que participaram do hospital, logo nessa época, já foi criada a residência médica para o Hospital Distrital de Base, atualmente Hospital de Base. A residência foi constituída, nessa época, por cinco ou seis colegas que aqui chegaram que depois se transformaram em verdadeiras personalidades médicas, citando alguns exemplos como o Milton Rameiro Filho, Ênio Melacosta Pimentel, Edson Antunes, mais uns quatro ou cinco colegas.”, disse.

Rocha realizou a residência médica em de 1956 a 1958, no Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, e se especializou em cancerologia, cirurgia-geral e gastroenterologia.

Membro titular da Associação Francesa de Cirurgiões, foi médico do Instituto Nacional do Câncer pelo Ministério da Saúde, ainda no Rio de Janeiro de 1958 a 1960, quando foi transferido para Brasília como médico-cirurgião da Câmara dos Deputados. No mesmo ano foi contratado pelo 1º HDF, onde exerceu todas as chefias cirúrgicas, realizando mais de 10 mil cirurgias e formando mais de 200 residentes em cirurgia geral. Atualmente é consultor científico do HBDF e do Conselho Administrativo da FEPECS onde foi presidente. De maio de 1964 a abril de 1967 foi Secretário de Saúde e presidente da Fundação Hospitalar do DF onde realizou a reforma administrativa da pasta e a instalação dela no Edifício Pioneiras Sociais.

Acompanhe a sessão solene

Residentes

Um terceiro momento, no início da tarde, também aconteceu na CLDF, o acolhimento aos residentes de vários segmentos da saúde, a exemplo dos enfermeiros, odontólogos, nutricionistas, fisioterapeutas, que também contou com a participação de Vianna.

Confira as fotos no Flickr

Sessão Solene em Homenagem aos 60 anos da Residência Médica no Distrito Federal