Jorge Vianna quer trabalhadores da Saúde com equipamentos de segurança para lidar com casos suspeitos de Coronavírus

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Deputado alerta ainda sobre cuidados e problemas relativos ao planejamento da Secretaria de Saúde

Por Kleber Karpov

Nesta quinta-feira (12/Mar), o deputado distrital, Jorge Vianna (Podemos), utilizou a tribuna da Câmara Legislativa do DF (CLDF), para cobrar, por parte do governo, o fornecimento de equipamentos de proteção, adequados, para enfrentamento ao Coronavírus (Covid-19), nas unidades da rede pública de saúde. Vianna lembrou que até que um paciente, com suspeita de contaminação pelo Covid-19, chegue ao atendimento efetivo, outros usuários e profissionais de saúde, podem ser expostos a contaminação, sobretudo, dos Prontos-Socorros (PSs).

Vianna observa que questionou, durante reunião do Secretário de Estado de Saúde do DF, Osnei Okumoto, com os deputados, na CLDF (11/Mar), em relação a proteção dos profissionais de saúde, que fazem atendimento, ainda na entrada e classificação de risco.

“Eu perguntei os servidores que estão na porta, estão protegidos, utilizando máscaras? O Secretário disse que não por não haver necessidade. Oras, a gente sabe que embora a contaminação seja pelo toque de mão, pelo beijo, pelo espirro com as gotículas que  atinge vários metros. Então as pessoas que chegam com os sintomas, antes de se apresentar ao profissional de saúde ele ao menos faz a ficha. Fica ali um tempo, um dois ou três minutos, até aguardar a sua classificação. E nesse tempo, se ele der um espirro, todos os pacientes que estão ali no Pronto Socorro, os trabalhadores que estão ali próximo dele, podem ter uma contaminação.”.

O deputado alerta, para a necessidade desses servidores, serem municiados de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), apropriados para lidar com a situação do Covid-19. Além de cobrar do secretário de saúde e do governador o fornecimento dos EPIs.

“Eu acho que a medida é errada, em não equipar nossos profissionais com EPIs, eu peço ao secretário e ao governo que coloque e dê as condições aos profissionais, principalmente aos do Pronto-Socorro. E que se coloque a máscara correta, aquela comum que a gente usa, tem uma duração de duas a quatro horas, o servidor fica 12 horas no plantão. Então temos que usar a N95, que pode durar até 90 dias e, óbvio, que também não vão ficar 90 dias, pois pode colonizar.”, disse ao questionar, “Será que o gasto é melhor você tratar o paciente, doente, ou comprar as máscaras?”, concluiu Vianna.

Leitos bloqueados

Vianna observou ainda que a SES-DF demorou em agir, logo após a identificação do primeiro caso no DF, além de convocar a iniciativa privada, para a disponibilização de quartos ou de leitos de UTIs. “Nós temos uma paciente no HRAN em uma UTI e os outros oito leitos, pois são nove, foram desativados e encaminhados para outros hospitais públicos e privados, ok. Só que temos uma UTI no HRAN com uma paciente e com a capacidade nossa de nove leitos.”, disse ao questionar a clareza em relação ao planejamento para o DF lidar com o Covid-19.

Dengue

O deputado informou que ao visitar o Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), recebeu reclamações de servidores da unidade, relativas as tendas instaladas para atendimento de casos de dengue, em diversas unidades de saúde do DF. Para Vianna essas unidades de atendimento, precisam ter um médico exclusivo.

“Os enfermeiros recebem o paciente e se precisar vai ao médico do pronto socorro pedir ajuda. Está errado. – A deputado, mas pedir um médico em cada tenda? É, tem que ter um médico em cada tenda. Porque o enfermeiro que está lá não pode prescrever porque não autorizaram naquela época que eu fiz o PDL para derrubar a Portaria [Portaria 67/ de 31 de janeiro de 2020], que suspendia a 33 [Portaria nº 33, de 23 do mesmo mês] que autorizava o enfermeiro a prescrever [medicamentos]. Pois é, o secretário fez, revogou a 33, agora não tem nenhuma e está lá o enfermeiro prescrevendo. Pois é, quer fazer saúde, faz com decência, com responsabilidade.”, disse ao lembrar que a dengue matou mais que o coronavírus.

Fechamento de escolas

Logo no início da fala, Vianna, questionado por um jornalista, apontou como acertada, a iniciativa do governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), de fechamento das escolas públicas do DF, por um período de cinco dias. “Foi uma decisão acertada e embora tenhamos alguns prejuízos, seja na Educação, por falta de aula que depois será reposta, ou em movimentos que depois pode ser feito, mas acho que melhor, termos esse prejuízo que sermos contaminados. E são cinco dias, em que podemos ter uma multiplicação com números estratosféricos.”, disse.